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Blogue VoxEurop

  • 60 anos do Tratado de Roma: Não se brinca com a União Europeia

    VoxEurop
    03 março 2017

    "Àbaixo a UE!", dizem eles. Muito bem. E o que vem a seguir? Nacionalismo? Exclusão e isolamento? Incitamento ao ódio e encerramento das fronteiras?

    Os movimentos anti-Europa vêm, não somente da Grã-Bretanha, mas também aqui, na megalópole europeia. Eles mostram claramente que o eurocepticismo virou uma verdadeira ameaça aos valores fundamentais da vida europeia. Porquê, 60 anos após a criação da Comunidade Económica Europeia (CEE), eles decidem questionar o maior marco na História deste pequeno Continente?

    É compreensível que alguns dos 510 milhões de cidadãos da UE tenham algumas dúvidas. A nossa UE é, de facto, imperfeita e complicada. Ela privilegia os lobbies e tem tendência a negligenciar o cidadão comum. Ela projecta unidade, mas não é capaz de pôr em prática uma política consistente e harmoniosa. A ausência de uma tal política, abranda o combate às desigualdades e injustiças económicas e sociais existentes entre os seus habitantes.

    Não precisamos de recordar as consequências de uma Europa dividida e desavinda. Ou talvez seja necessário?... A primeira metade do século passado já deve ter sido aviso suficiente.

    A CEE foi fundada com um objectivo claro: garantir e preservar a paz. Precisamente num momento como o actual, num mundo tão instável, onde milhões sofrem os horrores da guerra, temos o dever de apreciar e preservar esse património. Seria insensato ignorar os perigos que a ameaçam.

    Não nos esqueçamos o que a UE protege: democracia, liberdade de imprensa, de expressão e de religião, representando nem um décimo de todos os direitos invioláveis, de que nós podemos desfrutar. Não é um privilégio viver num território onde os princípios da liberdade e auto-determinação estão ancorados na sua Constituição?

    Todos os países membros têm o dever de respeitar os princípios da democracia, e os candidatos à adesão não podem escapar ao processo de reformas no mesmo sentido. A UE contribui, então, para a difusão dos valores democráticos.

    Além disso, dois dos aspectos mais importantes são: a livre circulação de pessoas e a moeda única. É certo, ainda estamos longe de atingir o sublime nessas áreas, e sim, o Euro é frequentemente dos críticos. Mas as taxas de câmbio desapareceram e surgiu a possibilidade de nos deslocarmos livremente, sem controle ou visto. O Acordo de Schengen, que garante a livre circulação nas fronteiras, não só robusteceu a dinâmica económica, como também permitiu um intercâmbio cultural considerável e, em resultado, mais paz e entendimento entre os cidadãos da União.

    Entretanto, quando alguns decidem resolver os problemas erguendo muros, nós só podemos nos indignar. A Europa já sofreu uma divisão sangrenta. Não queremos voltar a ver esse capítulo da História. O questionamento da livre circulação seria um golpe à liberdade e a diversidade!

    A UE não é perfeita. Mas protege a paz na Europa.

    Criticar a UE é legitimo. Mas não o é destrui-la. Certo, as reformas são necessárias para termos uma melhor União. Mas elas devem ser feitas com diálogo e coesão, e não separados e na discórdia.

    A consolidação da UE é hoje mais crucial do que nunca. Nem todos podem ver os seus vizinhos como amigos. Nem todos podem circular livremente,sem controlo. Nem todos podem usar sempre a mesma moeda. E acima de tudo, nem todos podem viver em paz.

    Para nós, europeus, esses benefícios tornaram-se banais, como tantos outros. Mas estes podem desaparecer, do dia para a noite, se não tivermos cuidado.

    Caro amigo europeu,

    Somos pró-Europa e dizemo-lo em voz alta!

    Temos orgulho de fazer parte dos 510 milhões de pessoas unidas, de diversas culturas e varios cantos da Europa!

    Queremos pontes e não paredes! A nossa União Europeia deve manter-se sinónimo de liberdade, de segurança e de paz!

    Queremos uma União Europeia mais democrática, transparente e socialmente justa!

    Precisamos de projetos unificadores.

    O conselho dos alunos apoiado pelo conselho dos pais, por professores e a direção do liceu Franco-Alemão de Freiburg im Breisgau, Alemanha.

    Cartoon: Claudio Cadei/Cartoon Movement

  • Sugestão de um leitor: Alemanha ameaça a estabilidade da zona euro

    VoxEurop
    19 maio 2015

    O diário britânico The Daily Telegraph estima que não só o excedente da balança corrente da Alemanha está fora de controlo, mas que pelo quinto ano consecutivo a Comissão Europeia não impôs multas à Alemanha por colocar em perigo a estabilidade da zona euro e por ter violado o procedimento relativo ao desequilíbrio macroeconómico da UE. O diário afirma que “os cínicos poderiam concluir justificadamente que os grandes países seguem as suas próprias regras na Europa e que a Alemanha pode desafiar todas as regras”.

    O artigo faz ainda referência ao Fundo Monetário Internacional, que no ano passado alertou a Alemanha para o facto de o seu excedente orçamental ser destrutivo para a união monetária no seu conjunto, não servir os interesses da Alemanha e complicar a saída da crise para os países da zona euro afetados. O jornal insiste que o excedente

    é um abuso estrutural crónico, que acaba por debilitar o funcionamento da união monetária a longo prazo, e é certamente mais perigoso para a unidade da zona euro do que o quer se se passe na Grécia.

  • A crise grega explicada: O que correu mal?

    VoxEurop
    13 abril 2015

    A Grécia foi resgatada durante cinco anos, com muito esforço e dinheiro e com muito pouco êxito. O que correu mal entre Atenas, Bruxelas e Berlim? O diário alemão Die Welt fez uma reconstrução em sete passos.

    Os países industrializados e, ainda mais, o FMI, fundado em 1945 com essa finalidade, têm anos de experiência na reabilitação de estados sobreendividados e no estabelecimento de fundações para a sua recuperação sustentável. É verdade que se cometeram muitos erros no passado, mas também se tiraram muitas lições, tantas que antes da crise do euro pensámos que sabíamos o que fazer quando um país estivesse prestes a entrar em falência.

    No entanto, em 2010, a crise grega tornou-se a questão da ordem do dia. Pouco depois a crise grega tornou-se a crise da zona euro, uma vez que a Irlanda, Portugal e Espanha também precisaram de ajuda. Mas enquanto no geral os outros países em crise estão no caminho certo, os parceiros da zona euro e as organizações internacionais parecem ter chegado aos seus limites relativamente à Grécia.

    A Grécia ficou destruída com o excesso de austeridade – é assim que os gregos e alguns dos principais economistas americanos o veem. A Grécia simplesmente não teve vontade de implementar reformas e pode de qualquer forma obter um novo começo através de uma desvalorização e uma “Grexit” – esta é a opinião de muitos alemães, quer a de partidários do Alternative für Deutschland ou de professores de economia.

    A verdade reside algures no meio disso. Uma análise mais atenta revela que muitas decisões tomadas durante o resgate da Grécia foram bem fundamentadas e bem-intencionadas, mas depois produziram efeitos secundários contra produtivos e, muitas vezes, difíceis de antecipar.

    1. Concentração excessiva nos números

    O Governo grego foi autorizado a ignorar a maioria das reformas estruturais e a focar-se apenas nos objetivos orçamentais, sobretudo porque os governos dos países doadores precisavam de resultados tangíveis para justificar o resgate perante os seus eleitores. O alívio do orçamento da Grécia era a maior prioridade. A austeridade por si só não está errada, mas os seus efeitos para o crescimento foram subestimados, especialmente na ausência das tão necessárias reformas estruturais, que são difíceis de executar porque entram em colisão com os interesses instituídos.

    2. Microgestão provocadora

    A ajuda para o desenvolvimento e as dezenas de programas do FMI tornaram claro que não adianta forçar um plano de reforma predefinido no país beneficiário. O Governo tem de apresentar ao eleitorado o seu próprio plano de reforma e consolidação, ser “proprietário” das reformas. Este princípio não foi de todo respeitado na Grécia. A ajuda foi condicionada a uma agenda muito detalhada. No entanto, isto foi um ato de autodefesa do ponto de vista da Troika, pois os seus homólogos gregos fizeram poucas propostas e exploraram a ambiguidade do plano de reformas para proteger os grupos de interesse.

    3. Cortes orçamentais inapropriados

    Os Governos que reestruturaram as suas finanças escolheram, no geral, a forma mais fácil. A Grécia teve várias oportunidades para acabar com várias brechas fiscais que favoreciam sobretudo a riqueza, tornando a cobrança de impostos mais justa e obtendo apoio durante o período de adaptação. Não o fez, provavelmente por medo de uma elite bem relacionada. Além disso, o setor público foi fortemente reduzido através do corte de salários, em vez de postos de trabalho, já que foi utilizado como rede de segurança para os despedimentos do setor privado. Outras reformas desnecessárias e impopulares, como o encerramento da televisão pública, pareceram uma tentativa de descredibilizar a Troika perante os cidadãos.

    4. A passo lento em vez de um “Big Bang”

    Uma reclamação comum é que se esperava que a Grécia fizesse demasiado em muito pouco tempo, mas aconteceu precisamente o inverso. Os cidadãos mais depressa aceitam dois anos de privação do que uma agonia interminável. Inicialmente, a Grécia evitou o pior, mas pouco fez para reavivar a economia e atrair investidores para o país. Os problemas continuaram a aumentar.

    5. Ignorar os problemas

    Não houve um “Big Bang” na Grécia porque, ao longo dos anos que seguiram a introdução do euro, a Comissão Europeia deu muita importância aos critérios de Maastricht em relação à dívida. Fez orelhas moucas aos problemas estruturais dos países da zona euro. Só apenas depois de a crise explodir é que Bruxelas percebeu que mal conhecia a Grécia, nomeadamente, a sua ineficácia na gestão pública. Além disso, a Grécia foi a primeira vítima da crise e foi considerada um caso isolado. Quando outros países foram afetados, o abrandamento económico ainda piorou mais a situação.

    6. Um perdão da dívida demasiado hesitante

    Os políticos queriam que a Grécia fosse um caso isolado. Os especialistas que observavam que a Grécia não tinha apenas falta de liquidez, mas que também era insolvente, foram ignorados, bem como a ideia de que apenas uma redução substancial da dívida poderia evitar medidas draconianas de austeridade. Os responsáveis políticos tinham medo que os credores dos países em dificuldade se assustassem se fosse concedido à Grécia um alívio da dívida.

    7. Falta de previsões

    O facto de a UE pensar durante muito tempo que o perdão da dívida seria demasiado perigoso deveu-se também à falta de proteção para o resto da zona euro. As regras orçamentais e relativas à dívida do Tratado de Maastricht não comtemplaram previsões para uma grave crise económica e da dívida. Isto reflete uma certa arrogância europeia. Os dirigentes pensavam que as crises que afetavam os mercados emergentes não podiam ocorrer na Europa. Perdeu-se demasiado tempo até que instrumentos como o FEEF, o MEE e a União bancária fossem criados.

    A Grécia está uma vez mais no topo da agenda europeia. Infelizmente, a Troika não tem credibilidade e os gregos estão cansados e menos entusiasmados do que nunca para implementar reformas. Será possível manter o país no euro?

  • Entrevista com Loretta Napoleoni sobre terrorismo: “A Europa não tem meios para combater os jihadistas no seu território”

    VoxEurop
    28 março 2015

    Para a autora de um recente ensaio sobre a organização Estado Islâmico, este último não constitui uma ameaça direta para o nosso continente, mas os europeus não dispõem dos meios financeiros e jurídicos para lutar contra os jovens radicalizados e os antigos combatentes no Médio Oriente.

    Que ameaça representa o EI, a organização Estado Islâmico, para a Europa?

    A ameaça que este constitui é sobretudo representada pelos jihadistas europeus que partiram para o Médio Oriente e que regressam à Europa para cometer atentados, um fenómeno relativamente recente. Na verdade, durante muito tempo, os combatentes estrangeiros nas fileiras do EI no Iraque e na Síria provinham da Península Arábica e de África. Mas, desde que se declarou califado, em junho de 2014, o EI recrutou muitos combatentes na Europa. Isto, graças à formidável campanha de recrutamento realizada através de uma série de vídeos – como este de três jovens britânicos a elogiar a jihad e apoiar os combatentes islamitas –, ao sucesso dos seus avanços no Iraque e na Síria. Os meios de comunicação ocidentais exacerbaram este efeito – conscientemente ou não –, servindo como caixa-de-ressonância para a propaganda jihadista. Na imprensa, o EI aparece como uma potência estabelecida, o que o torna ainda mais fascinante para os jovens europeus candidatos à jihad.

    Sabe-se quantos jihadistas regressaram à Europa da Síria e da Líbia?

    Não se sabe o número exato, mas a proporção mais elevada de jihadistas que regressaram da Síria estão no norte, nomeadamente na Bélgica. País ao qual se estima que tenham regressado 120 combatentes ou que pretendam regressar, mas que estão bloqueados por qualquer motivo no Médio Oriente.

    Até ao momento, os combatentes que regressaram não constituem um grande problema nem o principal problema. A principal preocupação do EI é conquistar Bagdad e enquanto não tomarem a capital iraquiana, o regresso dos jihadistas europeus continuará a ser uma preocupação secundária. No entanto, assim que o EI considerar que atingiu os seus objetivos em termos de expansão territorial, o problema colocar-se-á, devido sobretudo à falta de interesse que a vida no “califado” possa ter para os jihadistas europeus e não a um plano de “exportação” da jihad para a Europa. À semelhança da vida na Arábia Saudita, a vida no califado autoproclamado é um tanto quanto enfadonha para estes jovens que cresceram no ocidente: praticamente não há vida social além dos locais privados, os homens são estritamente separados das mulheres e a maioria das formas de entretenimento é proibida. Por este mesmo motivo, não podemos acreditar que seja a perspetiva de viver finalmente como um “verdadeiro” islamita que os motive: os jovens jihadistas europeus não são ascéticos, que não bebem nem fumam, por exemplo. O que os atrai é a ideia da luta contra um opressor – o regime sírio, iraquiano ou líbio – e a instauração da utopia política islâmica tal como foi formulada pela Irmandade Muçulmana e subsequentemente pela Al-Qaida e outros. No entanto, depois de estabelecida esta utopia, é muito provável que estes jovens queiram regressar à Europa.

    Para fazer o quê?

    Não será certamente para viver de forma pacífica. Marginalizados nos seus países de origem, continuam a sentir um forte desejo de vingança, como podemos ver pelo caso tristemente célebre do “Jihadi John”, um antigo estudante britânico radicalizado responsável pela decapitação de vários reféns filmada pelo EI. É portanto muito provável que queiram continuar a luta em casa. Há também os que saíram do país e se aperceberam de que cometeram um erro e que provavelmente regressaram a uma vida normal após voltarem à Europa.

    Como reagem os países europeus a esta perspetiva?

    Muito mal, pelo simples motivo de que não têm dinheiro. O problema do antiterrorismo europeu é essencialmente económico: a relação entre os recursos humanos e técnicos disponíveis para monitorizar jihadistas europeus e o seu número é claramente desproporcionada. As forças de segurança europeias estão a tentar bloqueá-los antes que estes entrem na Europa, mas isto levanta problemas jurídicos e políticos: é quase impossível impedir um regresso ao território nacional de um cidadão que possua um passaporte do país em questão e provar que este se encontrava na Síria, no Iraque ou na Líbia para lutar. Além disso, neste momento, vários países europeus estão a armar grupos que combatem o EI na Síria. Como podemos distingui-los? A questão requer uma solução política: retirar a cidadania a indivíduos é apenas possível sob determinadas condições, nomeadamente se tiveram outra nacionalidade. O mais provável é que fiquem bloqueados na Síria.

    Por isso este motivo é que é necessário um acordo internacional sobre um procedimento que permita um regresso seguro aos que desejam regressar ao seu país para se reintegrar – uma espécie de “arrependidos” da jihad. Numa viagem recente à Bélgica tive a oportunidade de falar com representantes políticos que me disseram que a maioria dos belgas que regressam da Síria – a maior parte deles jovens adultos – percebeu que tinha cometido um erro e está arrependida. Mas também têm medo de regressar a casa. Para encorajar a sua reintegração, é indispensável um procedimento que facilite o seu regresso.

    E quanto aos que pretendem regressar à Europa para cometer atentados?

    Os que estão convencidos de que fizeram a escolha certa e foram lutar para o Iraque, a Síria e a Líbia não planeiam regressar. E os que regressam são vigiados de perto. O verdadeiro perigo provém de pessoas como o autor dos ataques de Copenhaga ou de Otava, que não foram para o Médio Oriente. Não há qualquer sinal deles até que passem à ação. Radicalizam-se muitas vezes em universidades ou pequenas mesquitas, que escapam ao radar das forças de segurança. A radicalização também ocorre em prisões, como foi o caso do autor dos ataques de Copenhaga. O verdadeiro perigo provém portanto desta massa de jovens de cultura muçulmana que nasceu e cresceu na Europa e que se radicalizou através de redes sociais, vídeos, Skype e sites islamitas. Além disso, atuam por motivos diferentes, como podemos ver pelos ataques de Paris e Copenhaga, onde cada autor tinha a sua reivindicação – desde a Al-Qaida na Península Arábica ao EI e Gaza. O que têm em comum é as suas frustrações quanto às suas condições sociais, que consideram ser inferiores ás dos seus compatriotas. Também partilham a mesma admiração pelo EI, que devido ao seu sucesso militar na Síria e, sobretudo, no Iraque, e à sua propaganda cuidadosamente orquestrada, exerce sobre os mesmos um forte poder de atração. O EI mostrou estar atento à forma como os ocidentais tendem a reagir e às suas fraquezas. A emoção provocada pela destruição dos tesouros arqueológicos no museu de Mossul e dos vestígios de cidades antigas de Nimrud e de Hatra são exemplos claros disso. O mistério em torno dos líderes do EI, bem como o seu financiamento, contribui para a criação de mitos sobre a sua influência e controlo, que por sua vez contribui para o seu fascínio por parte dos jovens radicalizados.

    Sabe-se de quanto dinheiro dispõe o EI ou de onde este provém?

    Sabemos muito pouco, pois o EI trabalha numa economia fechada. Entre o tráfico e o dinheiro pilhado dos bancos de Mossul, o seu “PIB” anual deverá rondar os 2 e os 4-5 mil milhões de dólares por ano. E isto são apenas estimativas baseadas em documentos do EI que, na minha opinião, foram deixados propositadamente para trás. O montante parece enorme, mas convém recordar que a CIA estimou nos anos 90 que o “PIB” da OLP, considerada na época também ela uma organização terrorista nos territórios palestinos ocupados, rondava os 8-12 mil milhões de dólares. Comparado com a OLP, o EI é claramente menos corrupto e muito mais organizado.

    As suas redes financeiras também englobam a Europa ou limitam-se ao Médio Oriente e ao mundo Árabe?

    O EI recebe financiamento do mundo inteiro, nomeadamente dos países do Golfo. Os combatentes estrangeiros recebem dinheiro dos seus familiares (pais, amigos e simpatizantes), mas trata-se de pequenas quantias – inferiores a 300 dólares, os intercâmbios não são seguidos – muito provavelmente transferidas através da Western Union ou do Hawala, o sistema de transferências islâmico. Este dinheiro não passa pelo EI, mas pelos jihadistas, que o gastam no seio do EI, que por sua vez o utiliza para os recompensar, ainda que modestamente.

    Os países europeus podem continuar a trabalhar com os países que financiam o EI?

    Deveriam mudar a política estrangeira: é necessário voltar a traçar o mapa do Médio Oriente, pois pertence a um mundo herdado da Guerra Fria e que já não existe. O fracasso da “Primavera Árabe” e da intervenção ocidental na Líbia mostram que este mapa vai ser redesenhado com sangue. O maior perigo para a Europa não são os jihadistas que regressam do Médio Oriente: é o fim do comércio com os bancos do sul e do este do Mediterrâneo e a ameaça que constituiria para o comércio a conquista asiática do Iémen, que controla o acesso ao Mar Vermelho, por forças hostis ao ocidente. A isto junta-se a pirataria: os navegadores e as embarcações que circulam no Mediterrâneo estão expostos a raids de piratas provenientes da Líbia.

    Por falar na Líbia, o EI parece estar a algumas centenas de quilómetros das costas europeias.

    O EI, propriamente dito, não está na Líbia: enviou um pequeno grupo para iniciar relações políticas com grupos jihadistas estabelecidos no território. Até à data, as relações do EI centravam-se sobretudo no comércio de armas, porque é no Iraque e na Líbia que se encontram os dois maiores arsenais que caíram nas mãos de jihadistas nos últimos anos.

    A situação na Líbia, onde se regista mais de 1700 grupos armados de todas origens, é muito diferente da da Síria e do Iraque. O EI deverá aplicar a mesma estratégia usada no Iraque entre 2011 e 2013: dominar ou destruir os diferentes grupos um a um até haver apenas uma organização no território. Mas é um trabalho longo e exaustivo, mais difícil de implementar num país essencialmente tribal e dividido como a Líbia.

    É mais provável que a Líbia se transforme num “Estado falhado” como a Somália, do que num ersatz da Síria, onde cada fração controla uma parte do território.

    Recentemente, o El País publicou um artigo que afirma que alguns jihadistas tencionam tirar partido da situação na Líbia para se juntar aos imigrantes que chegam de barco à Europa, onde irão cometer atentados. Parece-lhe plausível?

    Não, porque a viagem de barco com os imigrantes é extremamente perigosa e, uma vez na Europa, são imediatamente colocados em centros de retenção. Além disso, nunca conseguiriam transportar armas de forma despercebida. Por que motivo haveriam eles de querer vir para a Europa, quando existem tantos potenciais terroristas na Europa. Por que haveria um jihadista líbio de atravessar o Mediterrâneo para colocar uma bomba em Madrid? Não faz sentido nenhum. O que interessa aos jihadistas é utilizar os recursos naturais dos países europeus e instaurar a sua lei.

    Isso quer dizer que a propaganda do EI está mais virada para o recrutamento de combatentes ocidentais na Síria, no Iraque e na Líbia do que para a exportação de jihads para o Ocidente?

    Exatamente. E funciona, tal como comprova o aumento do número de combatentes que saíram da Europa nestes últimos meses. A propaganda do EI também serve para nos aterrorizar. Os últimos ataques não foram tão impressionantes e mortíferos como o do 11 de Setembro, mas tiveram o mesmo efeito no nosso imaginário coletivo e nas nossas sociedades. Além disso, sabem perfeitamente utilizar os meios de comunicação ocidentais para difundir a sua propaganda. Basta ver o impacto que o atentado ao Charlie Hebdo teve na opinião pública, amplificado pelas declarações exageradas de meios de comunicação pouco escrupulosos ou à procura de informações sensacionalistas – por vezes em detrimento da realidade. O efeito que tem sobre jovens pouco instruídos e frustrados ainda é maior.

    Loretta Napoleoni, L'Etat islamique (Calmann Levy, 2015).

    (Fotografia: Channel 4 News)

  • Recomendou: As escolhas económicas democráticas passam por uma união política

    VoxEurop
    23 março 2015

    Luigi Zingales escreve no Il Sole 24 Ore que a natureza esquerdista radical do Syriza não devia desviar a atenção do tratamento injusto da Grécia. O FMI tê-lo-ia certamente feito melhor do que a troika.

    O problema não é Alemanha nem a Grécia: o problema são as fundações políticas da União Europeia. Esta consiste numa união monetária, não numa união política, onde as decisões económicas não podem ser tomadas de forma democrática e acabar por ser vítimas dos interesses dos países com economias mais fortes.

    Está disponível uma tradução em inglês no blogue de Zingales.

  • Recomendou: Um fundo comum germano-grego para reabilitar a história

    VoxEurop
    17 março 2015

    Um leitor, Veritas, recomenda o comentário do professor emérito de História contemporânea da universidade de Atenas, Hagen Fleischer, publicado pelo diário britânico The Guardian.

    Fleischer detalha o chamado “Besatzungsanleihe” – o “empréstimo” que os gregos tiveram de contrair ao Governo alemão em troca do privilégio da ocupação do seu território por tropas alemãs entre 1942 e 1944 no valor de 10 mil milhões de euros dos dias de hoje.

    Fleischer sugere que esta dívida

    possa – e deva – constituir a base para negociações sobre a criação de um “fundo para o futuro” dedicado à reabilitação comum de uma história “partilhada” e ao financiamento de um projeto de infraestruturas simbólicas.

  • Recomendou: Yanis Varoufakis é o ministro das Finanças de um “país falido”

    VoxEurop
    05 fevereiro 2015

    Um dos nossos leitores, Continentàl, recomendou uma entrevista do ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, ao semanário alemão Die Zeit.

    Depois de ter sido mal citado por um órgão de comunicação social alemão, numa entrevista ao Die Zeit, o novo ministro das Finanças Yannis Varoufakis pediu aos alemães para ouvirem os gregos e, até mesmo, para confiarem neles. O ministro explicou a hostilidade para com o Governo do Syriza como medo do desconhecido: “A Europa não estava preparada para a crise na Grécia e tomou decisões que só pioraram a situação. Neste momento, a UE parece um jogador compulsivo que continua gastar dinheiro em cima de dinheiro mal gasto”, diz. A Grécia está falida.

    Leia a versão em inglês da entrevista de Varoufakis aqui.

  • Aos nossos leitores: Como apoiar o VoxEurop

    VoxEurop
    21 julho 2014

    Desde que retomou a atividade do Presseurop, o VoxEurop é elaborado por uma equipa motivada, mas reduzida. As reações que obtivemos até ao momento são positivas e fazem-nos prosseguir com os nossos esforços.

    Apesar de não nos faltar motivação, temos de enfrentar custos de funcionamento que são inevitáveis, nomeadamente o alojamento do site (cerca de 200 euros por mês) e a tradução dos comentários (assegurada pela Google, que fatura cada tradução consoante o seu tamanho). Além disso, foram vários os leitores que nos perguntaram de que forma podiam contribuir financeiramente para o projeto VoxEurop.

    Decidimos, portanto, introduzir (na coluna do lado direito do site) um botão que permite fazer um donativo à associação sem fins lucrativos que gere o VoxEurop. Cada cêntimo será utilizado para fazer face aos custos de funcionamento e o eventual excedente será investido no desenvolvimento do site e em novos conteúdos.

    Em nome da equipa do VoxEurop, agradecemos desde já a sua fidelidade e a sua confiança.

  • O nosso site: Moderação do Presseurop

    Presseurop
    20 dezembro 2013

    A participação dos leitores é uma parte essencial da missão do Presseurop para encorajar o debate sobre os assuntos que dizem respeito à Europa.

    Na Internet, a maneira mais simples de envolver “as pessoas antigamente conhecidas como a audiência” é abrir os artigos a comentários. A qualidade da subsequente discussão, famosamente variável, será influenciada pela boa vontade dos participantes e pela natureza técnica do foro, mas também pelo moderador.

    Este artigo discute algumas das opções feitas no Presseurop.eu.

    Rumo a um foro de discussão dos leitores

    Houve sempre confusão sobre o propósito dos comentários dos utilizadores nos sítios de notícias na Internet. Originalmente, parecem ter sido concebidos como “cartas ao diretor”, com o único objetivo de fornecerem informação complementar sobre o artigo em questão. Só mais tarde os donos dos sítios decidiram que a discussão entre comentadores podia ser um objetivo legítimo em si mesmo.

    Há uma tensão entre estes dois objetivos, tanto no Presseurop como noutros sítios.

    • “informação complementar” implica uma moderação ativa e encorajamento a testemunhos de experiência pessoal e de visão especializada, e destina-se ao benefício dos leitores não-participantes (um exemplo clássico é o da BBC News)

    • “discussão” significa facilitar o livre intercâmbio de opiniões, e tem como objetivo permitir aos participantes e aos não-participantes mudarem o seu ponto de vista à luz da perspetiva dos outros (um exemplo clássico é o Reddit e inúmeros outros fóruns semelhantes).

    No início do projeto Presseurop, favorecemos claramente o primeiro objetivo. Mas muito rapidamente os comentadores começaram a responder tanto uns aos outros como aos próprios artigos. Dada a missão do Presseurop, houve evidentemente a possibilidade de passarmos para o segundo objetivo através da construção de uma plataforma de discussão única. E foi exatamente isso que fizemos, lançando uma integração parcial dos comentários nos sítios das diferentes línguas (2010), citando as notificações de resposta (2011), integração multilingue completa (2011) e, finalmente, traduzindo automaticamente através do Google (2012).

    Arrumar

    “O sucesso é difícil de medir, mas o nosso fórum tem sido regularmente elogiado por seu alto nível incomum de civilidade”

    O Presseurop usa a “moderação automatizada” inspirada pela geografia urbana. A investigação tem repetidamente mostrado que os cidadãos tratam melhor os espaços públicos quando esses espaços já são bem tratados. Aplicando esta observação para discussão online, o nosso motor de comentários dispõe de uma série de filtros para garantir que esses comentários aparecem de maneira apresentável e séria. O sucesso é difícil de medir, mas o nosso fórum tem sido constantemente elogiado pelo seu alto e invulgar nível de civilidade.

    Infelizmente, os filtros automáticos provaram ser impraticáveis quando se trata de lidar com linguagem intraduzível – um flagelo, sobretudo, quando a tradução é feita por máquinas. Por isso, corrigir erros ortográficos e gramaticais é o género de moderação que fazemos, mas certamente o menos desafiante de todos.

    Moderação 101

    Tal como todos os outros fóruns online, também nós tivemos de enfrentar três desafios de moderação: insulto ou provocação, difamação e discurso do ódio. Para dizer a verdade, nenhum deles foi um grande problema, dada a excecional boa vontade e consideração da comunidade do Presseurop.

    O insulto ou a provocação envenenam a atmosfera, levam os membros mais sensatos da comunidade a saírem e desencoraja outros a entrarem. Nunca hesitámos em rejeitar ou cortar comentários especialmente insultuosos (e houve alguns), mas as dificuldades surgem nos casos limites. Estes incluem:

    • slogans e invetivas – frases que incluem palavras como “criminoso”, “coração a sangrar”, “fanático”, “louco”, “UERSS”, “bancster”, “ditador”

    • referências Godwinescas a ideologias e políticos da década de 1930

    Raramente apagámos ou cortámos comentários contendo provocações ocas deste género, mas lançámos educadamente avisos muitas vezes. De uma maneira geral, pedimos aos leitores para se “aterem aos factos e ao tópico” – evitando assim recriminações sobre a própria natureza do insulto ou da provocação.

    A difamação é um problema mais grave, porque é sancionada pela lei. Em várias ocasiões, fomos acusados de publicar comentários difamatórios, nunca com razão – em parte porque o difamador tem de ser publicamente identificado, o que, geralmente, não é o caso dos nossos comentadores, que usam pseudónimos.

    O discurso do ódio, pelo contrário, tem sido um problema ocasional. O Presseurop.eu está alojado em França e, por isso, cai sob a alçada da lei francesa, que é relativamente severa no que diz respeito ao ódio online (e penaliza mesmo os simples insultos). Mas o ódio é manifestamente difícil de definir. Devemos rejeitar um argumento calmamente expresso contra a imigração com base num evidente racismo pseudocientífico e apoiado em estudos sobre os níveis de QI nacionais? Permitimo-lo. E o que dizer da homofobia declarada expressa com base em normas religiosas ou culturais – por exemplo, de um leitor dos Balcãs? Também a permitimos. Os mesmos argumentos mas com linguagem vulgar? Apagamos.

    De um modo geral, tentámos pecar por excesso de liberdade de expressão. Isto é sobretudo importante num sítio de Internet cuja audiência tem contextos culturais muito diferentes e até mesmo entendimentos divergentes sobre o que é a própria liberdade de expressão – todos enquadrados por diferentes leis e diferentes histórias.

    Desafios difíceis

    Na verdade, os desafios mais intrincáveis à moderação são bem menos óbvios. São todos problemas insidiosos dos fóruns online e não há soluções óbvias.

    Os mal-entendidos são uma armadilha clássica de qualquer discussão:

    — Nunca defendi tal coisa. Pode dizer-me onde é que “defendi” isso? Que impertinência!

    — Você escreveu: “já chega”. Eu tenho o direito de me expressar e nunca o mandei calar-se.

    — Dê a sua opinião, por favor. Vamos lá, seja feliz e menos amargo.

    — Estou muito satisfeito e nada amargo. Você está muito ácido e limita-se a dizer banalidades insultuosas.

    Neste caso (real), uma discussão até aí civilizada, a comunicação foi quebrada por causa de um acumular de mal-entendidos. Sem contacto visual e sem linguagem corporal pode ser muito difícil manter uma conversa sem descarrilar, como aconteceu neste caso. Um dos membros mais assíduos do fórum lida com este assunto assinando quase sempre os seus comentários com um ‘smile’. Não é uma solução perfeita mas pode ter um certo efeito profilático. :)

    O negativismo e o cinismo são igualmente difíceis de moderar, uma vez que não se trata exatamente de um ultraje. Mas o seu efeito é arrastar o debate para muito baixo:

    Democracia europeia? Deve estar a gozar!

    Este comentário, deixado num artigo sobre o Parlamento Europeu, não admite resposta e não leva a lado nenhum. Tenha sido dito contra os políticos (de Bruxelas ou não), as elites e a sua “propaganda”, os banqueiros, os jornalistas, ou até mesmo os cientistas, o resultado é o mesmo – baixar o nível, para desencorajar contribuições com ideias mais sofisticadas e, em última análise, para levar a discussão para um beco sem saída. Em geral, respondemos com a tática do gancho, pedindo aos leitores que apoiem as suas afirmações em factos documentados.

    “Não temos meios para verificar os factos de todas as afirmações, mas pedimos frequentemente aos nossos leitores que os justifiquem”

    A desinformação não tem lugar num sítio de notícias sério e, no entanto, é um problema inevitável nas discussões informais online. Não temos meios para verificar os factos de todas as afirmações, mas pedimos frequentemente aos nossos leitores que os justifiquem. Algumas questões, no entanto, destacam-se por causa da sua problemática particular:

    É difícil justificar o aquecimento “global” quando, em anos recentes e um pouco por todo o mundo, têm sido quebrados os recordes das temperaturas negativas. Isto é, quase de certeza, uma mentira factual. A negação do aquecimento global antropogénico parece um candidato especialmente bom para a moderação por várias razões:

    • é, em parte, o resultado de uma deliberada campanha de desinformação levada a cabo por poderosos interesses, de que nenhum órgão de informação deve ser cúmplice

    • a complexidade da ciência torna a alegação quase impossível de falsificar por não-especialistas (dos quais nenhum se encontra entre os nossos colaboradores)

    • o efeito é o de inviabilizar a discussão para que o tema do artigo – como pretendido pelo autor – não seja sequer debatido

    São muitos os que aceitam a rejeição de comentários de leitores que negam ou desvalorizam o Holocausto. Mas alguns meios noticiosos – um exemplo notável é o do LA Times – têm essa política quando se trata de negar o aquecimento global, apesar das potenciais consequências de desinformação. Quanto a nós, limitámo-nos a “avisos saudáveis” aos comentários individuais.

    A desproporcionalidade de pontos de vista é um perigo enfrentado em todos os fóruns de discussão. Nos debates políticos televisivos, os intervenientes são convidados proporcionalmente à popularidade dos pontos de vista que representam. Em ambientes menos formais, como é o caso do nosso sítio, tal controlo não é possível. Há, por isso, o risco de algumas opiniões esmagarem as outras. A situação é ainda mais complicada no Presseurop, por causa da nossa necessidade não só de equilibrar pontos de vista e atitudes políticas divergentes em relação à integração europeia, como também as múltiplas línguas e nacionalidades.

    “Inevitavelmente, por isso, alguns pontos de vista foram sub-representados no fórum do Presseurop”

    Em termos absolutos raramente alcançámos esse delicado equilíbrio, mas houve alguns êxitos. Por exemplo, os dez primeiros comentários ao recente artigo de Martin Schulz foram escritos em nove traduções diferentes desse mesmo texto. Inevitavelmente, por isso, alguns pontos de vista foram sub-representados no fórum do Presseurop. As apreciações são subjetivas, mas os candidatos podem incluir:

    • vozes de centro-esquerda do Norte da Europa

    • partidários da fiscalidade dos países atingidos pela crise

    *moderados, centristas e euro-agnósticos de todos os países

    • opiniões da Europa Central e de Leste, da Escandinávia e dos Balcãs

    Um certo utilizador do fórum, invariavelmente educado e inabalavelmente constante na sua condenação da integração económica da UE, escreveu mais de seis mil comentários, incluindo 31 dos 81 referentes a um único artigo. Por outro lado, nos 120 comentários a uma breve recente sobre política monetária há um relativo equilíbrio – 20 podem ser interpretados como pró-austeridade, 17 como anti-austeridade, e um punhado a condenar em absoluto a simples existência da moeda única. (Os restantes não dizem respeito ao tema mas incluem uma interessante discussão sobre fontes de notícias europeias).

    Tal como os outros desafios, também a desproporcionalidade de pontos de vista é, de certa maneira, inevitável em qualquer fórum online. Mas apesar de as opiniões terem uma distribuição desigual, ouvi-las pode sempre ser benéfico. Tal como um dia escreveu um especialmente sensato membro italiano do fórum a um utilizador alemão particularmente frontal:

    Os seus últimos comentários são muito valiosos e acredito que podem convencer pessoas tanto do Norte como do Sul da Europa. Este fórum pode ser uma oportunidade para que todos os leitores que nele participam aprendam.

    Nós também achamos.

  • Recomendou: Enxame de trabalhadores e estudantes alemães na Áustria

    Presseurop
    13 dezembro 2013

    O nosso leitor habitual Flatus Vocis recomenda um artigo sobre a emigração alemã na Áustria no sítio de informação checo Česká Pozice.

    Nos últimos 10 anos, o número de alemães na Áustria quase duplicou e são agora 230 mil. São atraídos pelo alto nível de vida, pelos empregos e por uma atitude mais descontraída perante a vida. Depois do alargamento da UE, há uma década, muitas empresas multinacionais estabeleceram em Viena os seus quartéis-generais para a Europa de Leste. Esta onda de imigração ajudou a reduzir o clientelismo e a corrupção na Áustria, mas há alguma antipatia em relação aos estudantes alemães, que são cerca de 30 mil. O Governo austríaco tentou limitar as admissões, contrariando as diretivas da UE, e agora está a considerar um aumento de propinas de que só os cidadãos austríacos ficam excluídos.