Portugal: O meu vizinho, o primeiro-ministro

Francisco e Bernardete Sesinando, vizinhos de Pedro Passos Coelho.
Francisco e Bernardete Sesinando, vizinhos de Pedro Passos Coelho.
17 novembro 2011 – Expresso (Lisboa)

Na rua onde mora o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, nos subúrbios de Lisboa, a crise já bateu a várias portas. O Expresso conta como os seus habitantes, da classe média, vivem as medidas de austeridade impostas pelo seu ilustre vizinho.

Basta Pedro Passos Coelho voltar a sair a pé pela porta principal do prédio – em vez da discreta porta da garagem, nas traseiras, que passou a usar para se deslocar de carro desde que é primeiro-ministro – para se aperceber dos efeitos imediatos da crise na rua onde mora, em Massamá.

O país está zangado. E boa parte da vizinhança também (no dia em que foram anunciados os cortes nos subsídios de férias e de Natal houve quem se desse ao trabalho de ir à janela protestar e insultar o vizinho).

Logo em frente ao número 27 da Rua da Milharada há um cabeleireiro e um restaurante de portas encerradas. O restaurante já mudou de gerência três vezes nos últimos dois anos. Por falta de clientela.

E basta entrar noutros estabelecimentos comerciais desta artéria entre prédios altos, amontoados como Lego, igual a tantas nos subúrbios de Lisboa, para antever que esta realidade pode estender-se ao longo da rua. Cada mês que passa, mais uma casa entra em falência, mais um empregado é dispensado ou vê o seu ordenado ser reduzido. Uma (de)cadência que acompanha o ritmo das medidas de austeridade que surgem mês sim mês não.

Uns números acima do restaurante e do cabeleireiro fechados está Rute Ramos, 35 anos, olhar perdido num gigantesco mapa-mundo, à espera que alguém se sente à sua frente para adquirir os últimos pacotes de viagens de inverno com destino à Lapónia (a terra do Pai Natal) ou para locais mais quentes e bronzeadores, como as Caraíbas.

Mas já só viaja para fora quem está muito bem cá dentro. "E são cada vez menos. Desde o último ano, tivemos uma queda de 50% de clientes – maioritariamente funcionários públicos, muitos deles professores, sem dinheiro para férias." É muito esta a vizinhança de Passos Coelho.

Leia o artigo integral no Expresso ou nas outras nove línguas do Presseurop.

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